13 março, 2011

Não sou a fêmea alfa, mas tenho meu valor

Esta semana saí com alguns amigos pra dançar. Uma amiga de um amigo (que agora é minha amiga também) seria DJ numa festa dos anos 80 e fomos todos prestigiar o trabalho dela, tirar mil fotos e se acabar de sacudir.

Num dado momento, já meio suadas e descabeladas de tanto pular e fazer danças bobas como se não houvesse amanhã a Meire e eu nos colocamos na frente de um dos ventiladores e levantamos os braços pra deixar o ventinho correr pelo corpo. Parece grotesco - e na verdade é mesmo - mas a gente se diverte horrores fazendo isso, rindo um da cara do outro e acumulando historinhas que viram piadas para os outros encontros.

Fazendo isso, no meio dos amigos, dos desconhecidos e de uns caras fofos para potencial flerte (ói que véia) me dirigi à Meire e disse: "tá vendo porque a gente não pega ninguém? Ao invés de phynas e delicadas ficamos secando o sovaco no ventilador da balada". Taí a piadinha que eu me referi, porém a frase é cheia de verdade.

Ao chegarmos na casa, minha amiga Carol Z., casadíssima e acompanhada já me mandou ficar de olho nos rapazes do grupo ao lado enquanto eu mal tinha notado que havia gente ao redor. Sempre penso que isso é meio uma "lesera" e hoje me peguei pensando sobre - já que estou agitadíssima e dormi só duas horas, bora pensar na vida pra desacelerar.

Estive pensando que isso na verdade não é uma característica recente minha. É algo que sempre foi assim. Sou faladeira, faço amizade fácil, me comunico bem, mas simplismente não sei caçar. É diferente quando conheço alguém e me interesso. Se gosto de alguém, por mais tímida que seja tenho a obrigação de ser sincera com meus sentimentos, então dou um jeito da pessoa saber que eu a vejo de uma forma diferente, mas a caça, por assim dizer, não é bem meu forte.

Quando me separei e comentei isso com algumas pessoas, estas me disseram que "eu precisava mudar isso em mim", mas eu não posso mudar quem eu sou pra chegar a um objetivo que eu nem sei qual é ao certo. Não posso deixar de ser a pessoa alegre e que não liga muito para os padrões para ficar de carão na balada em busca de um fofo que me agrade.

Não troco, em momento algum, a companhia dos meus amigos queridos que me receberam recentemente de braços abertos como se eu nunca tivesse me afastado para me atracar com algum desconhecido o qual me dará alguns momentos de diversão passageira. Não é assim minha forma de conhecer alguém legal e essa não sou eu.

Sou caseira, da risada, das palavras sinceras em meio a brincadeiras saudáveis e piadinhas de humor negro e inteligentes. Não é qualquer um que acompanha isso e não é o cara que coloca "me amo D+. Estou soUteiro" no perfil do Facebook quem conseguirá acompanhar o raciocínio de mil assuntos misturados num ritmo frenético de conversa inteligente e ao mesmo tempo leve.

Não posso mudar isso em mim como se fosse um defeito, como se eu fosse uma neurótica maluca por limpeza e isso afetasse minha convivência com as pessoas. Não preciso mudar quem eu sou pra que as pessoas percebam aquilo que eu tenho de melhor. Não sou exatamente a fêmea alfa, aquela mulher linda e de presença marcante, que respira segurança e sensualidade e atrai os olhares aonde quer que chegue. Sou a gordinha que chega tropeçando e rindo de si mesma, mas que sabe exatamente seu valor. Sabe o quanto pode ser interessante, bacana, meiga, elegante (quando quer) e de sorriso largo. Tudo isso faz de mim o que eu sou.

Falando com a Dinda sobre a importância - ou não - da caça na vida de uma pessoa solteira eu questionei o fato de eu um dia ter conseguido me casar, e ela, linda e que eu amo muito me solta essa: "você casou porque quem tem a oportunidade de te conhecer sabe que você é uma pessoa incrível". Não é que ela tem sempre as palavras certas nas horas certas?

E esta frase não se encaixa somente à minha realidade. Ela diz respeito também às minhas amigas solteiras que deixaram de lado a tão valorizada "caça" para serem felizes da forma como são. Serem sinceras consigo e com o mundo, porque nossa maior beleza está em sermos nós mesmos.

E tenho dito.

Para ilustrar, momento "secando o sovaco" de sábado à noite e a galera linda reunida. Aqui falta a Carol, a DJ, que certamente tem um quê de fêmea alfa em seus 1m90 e cabelos longos esvoaçantes.




2 comentários:

Caroline disse...

A-do-rei!
Lembra o que te perguntei na balada: vc está flertando né?!?!?! rsrsrsrsrsrs É pq sei que vc é desencanada e vi um carinha quase de frente pra vc, dançando muito tb.
Vc está certíssima e a Tabata mais ainda.
É pela sua sinceridade e bom humor que nos tornamos amigas.
Beijoss

Micheline matos disse...

Adoro seus textos e concordo com sua amiga que falou sobre te conhecer melhor.Vc é linda e tem muito valor sim!um beijo